06 dezembro, 2006

Tamo Junto?

É difícil de acreditar, mas eu passo a crer cada vez mais nas pessoas que eu ouço falando que o rap nunca vai pra frente no Brasil e que tudo não passa de uma grande farça onde as pessoas lutam apenas para satisfazer seu ego e suas necessidades pessoais. É difícil de acreditar que no meio de tanta gente talentosa, com garra e determinação muitas vezes se deixam levar por momentos em que a glória fala mais alto, não cito nem o dinheiro, pois se ele já estivesse presente na vida de algumas pessoas acho que eles mandariam construir uma cidade só para eles. É difícil quando temos um ídolo, e quando o conhecemos pessoalmente, passamos a descobrir que ele simplesmente é um idiota (antes não tivesse o conhecido, talvez seria melhor manter aquela imagem que criamos na cabeça sobre ele). E é ainda mais difícil achar que vamos encontrar um elo de amizades num barco onde todos deveriam estar de fato juntos, onde na verdade encontramos disputas, rinchas e coisas do mais baixo escalão. Os que deveriam de fato representar a nossa cultura cultivam "panelas" onde as portas nunca se abrem inclusive para eles próprios, pois isso se torna uma conseqüência da mesquinharia que estes representam.
Ainda assim insistimos em ser otimistas, lutamos para fatos como estes não se tornarem tão constantes, fatos que nos entristecem, pois quando dedicamos nossas vidas para o crescimento de uma cultura e vemos sua imagem se denegrindo a tal ponto passamos a crer que não estamos juntos. Ainda assim temos a esperança de construir um movimento que cresça a partir da união de seus membros, onde cada qual cumpra com seu devido papel, mas isso não parece acontecer para os que afirmam a todo o momento estar juntos.
Temos que enxergar que nem tudo são flores como parece no movimento Hip Hop. Como se já não bastasse a dificuldade de se produzir um bom trabalho com uma boa gravação, uma boa arte, e uma divulgação, temos que enfrentar barreiras que os próprios colegas criam a todo momento, fazendo com que rivalidades se tornem algo constante em nossa carreira. No meu caso, onde desenvolvo um documentário sobre Freestyle sinto a dificuldade na pele, pois é um trabalho onde a representatividade e o respaldo será em escala nacional, quando dependo de filmar eventos e os próprios organizadores, também participantes do documentário, esnobam, dificultam a entrada nos shows, e certas vezes me deixam falando sozinho com as paredes. Fatores como esses me levam a pensar duas vezes quanto à realização de um trabalho que com certeza somará para a nossa cultura, mas me animo ao mesmo tempo, pois isso mostra que nos tornamos mais fortes apesar das dificuldades e limitações que nos são impostas. E se pensarmos bem, é uma pura contradição, pois eles também estarão na tela.
Mas lutemos, para concretizarmos algo que já plantaram com a pureza e a sagacidade de verdadeiros idealizadores, pois não foram estes que contaminaram os ideais e objetivos dos que agora se dizem estar juntos.
Deixo então a pergunta: "Tamo Junto?”.


Texto: Arthur Moura

Um comentário:

Torvi disse...

acho legal q todos possam ler isso, pois me identifico com as palavras do arthur... hoje em dia o que vemos é isso mesmo, q tá tudo bacana externamente, mas internamente no meio não é bem assim....

vários falam, poucos fazem, creio q a introdusom seja um dos pocos meios q não se importa em tocar o som de todos, muitos amigos q colocamos aqui, mas isso não nos torna uma panela, e sim uma família, todos os outros sons são bem vindos, pois o propósito é mesmo q vc não goste de algum som, alguma outra pessoa possa se interessar! essa q é a parada... um abraço...